O passado ainda fala, e fala alto. Agora mesmo, nesse momento em que escrevo, meus ouvidos escutam o seu eco, o seu grito na verdade! E é estranho ouvi-lo porque ao mesmo tempo em que incomoda e ensurdece, ele inebria, preenche, satisfaz. E nessa confusão de sensações, eu baixo todas as guardas, e cedo, sorvendo cada uma delas - sensações - até a última gota, ou até o último som. Eu me entrego até ouvir, exausta, não mais os berros do passado, mas só e somente só o silêncio agudo e mortal do presente. Do presente onde só existe o vazio. Do presente onde não há nada além de culpa e aflição.
Tô vivendo no meio de uma guerra, uma guerra de batalhas constantes, eu sei. Meu passado e meu presente se confundem, se agridem, enquanto meu futuro que depende da trégua e da paz entre os dois, está caído mais a frente, agonizante, ferido. Ele não se vê com forças, suas resistências não mais resistem, mas, com a energia do filho caçula do tempo, ele não perde a esperança e num esforço hercúleo reergue-se a cada queda. Em passos trôpegos, esse futuro, mesmo machucado, toma minha mão e segue adiante. Somos UM agora. E seguimos em frente apesar de tudo!
Um comentário:
Uauuu!
Hoje parece o dia certo para eu ter acordado cedo, cheia de inspiração, tanto para escrever, quanto para ler textos maravilhosos!
Parece que estou aqui revendo minhas próprias palavras (pra variar!). Passei por isso há um tempo atrás - aliás a gente passa por esse confronto toda hora - e hoje não é diferente, pois foi o passado que me roubou a noite de sono que parecia tão promissora.
Mas mesmo com as olheiras, mesmo com a dor nas costas, nas pernas, o cansaço e outros ferimentos de guerra, temos que continuar a lutar, pois esse é o único modo de sobreviver a tudo isso.
Adorei o texto Malu! (E não podia ser diferente, já que o texto provém de você!).
Bjos Gêmeos!
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