31 de dezembro de 2022

Carta aberta para 2022




Meu malvado favorito 2022 (desculpa aí, é que aquela coisa do "caro", "querido" não rola com você!),

Antes de qualquer coisa: pitomba!!! Tu botaste pra quebrar, né? Resolveu trazer a tona todas as minhas sombras de uma só vez, acho... Fez com que eu encarasse de forma inevitável as minhas inseguranças, medos, raivas, traumas, mágoas... Tudo o que ingenuamente eu achava que não sentia ou, estupidamente, julgava ter superado. Tu foste intenso, duro, eu diria cruel mesmo, porque veio como as águas de uma represa me arrastando, juntamente com os meus sonhos - ou ilusões? -, para um oceano de conflitos e duvidas. E eu, que tenho pavor de qualquer coisa semelhante a afogamento, quase sucumbi. 

Mas, depois da enxurrada de vicissitudes e lágrimas, cá estamos nós dois agora: tu chegando ao fim, eu me preparando para recomeçar. E o mais louco de tudo isso é que olho pra ti agora, enquanto escrevo estas linhas, e sinto meu coração se enternecer com o fato de que amanhã os teus dias serão apenas mais algumas lembranças... Sim, eu estou com um sentimentozinho gostoso no coração, sabe, com aquela vibe do "caramba, eu consegui, apesar de tudo eu tô aqui!", misturada com algo que parece gratidão por todo o processo vivenciado. 

E como é maravilhoso estar me sentindo assim, mesmo em meio a grande interrogação que é o meu futuro e apesar do quão paradoxal tem sido o meu presente... Como é bom caminhar em direção a tua porta de saída e conseguir me despedir de ti, 2022, de cabeça erguida, te olhando nos olhos e com a consciência tranquila, afinal, é forçoso reconhecer que muito do que tu me trouxes foi consequência de mim mesma, das escolhas que fiz nos anos que te precederam, então não tem porquê eu ficar te olhando com a cara amarrada, por mais que a parte ferida em mim prefira isso.

O fato é que tu vieste como aquela estonteante mas providencial sacudida da vida; um baita "acorda!" que eu precisava para lembrar do quanto alguns valores são inegociáveis, ainda que o amor pareça ser a moeda de troca. Assim, mesmo reiterando o quando tu foste duro e cruel - não só comigo, eu sei! - quero encerrar esta certa registrando nos livros do universo o meu imenso obrigada 2022. Obrigada por me fazer recordar que os sonhos do meu coração importam, mesmo que pareçam irrealizaveis. Obrigada por me exigir coragem e o reconhecimento de mim mesma. Obrigada por me mergulhar nas minhas próprias sombras. E, principalmente, obrigada por - mesmo em meio a dor - segurar a minha mão e virar os meus olhos para a Luz.

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