11 de fevereiro de 2015

"Don't let me go..."*



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Não que eu seja do tipo "Maria vai com as outras", aquela que se deixa levar facilmente por qualquer sugestão, mas seria hipocrisia não reconhecer o fato de que eu sempre precisei de algumas influências para conseguir fazer certas coisas no meu dia-a-dia. Sabe aquelas palavras que podem até soar como meras frases de efeito, que parecem retiradas de algum livro de autoajuda, mas que em determinadas circunstâncias são fundamentais para um coração inseguro? Pois é! É desse tipo de influência que eu falo, e é dela que ainda hoje - em alguns momentos - eu preciso. E quem me conhece de verdade, talvez já saiba bem disso.  Ou não?

Em 2002 eu passei no vestibular para Ciências Sociais. O problema é que a cidade onde eu faria o curso fica há 90km da minha. Me mudar pra lá estava fora de questão na época, já que eu tinha acabado de voltar de uma temporada em Fortaleza da qual não gostei nem um pouco. A alternativa para fazer a faculdade então seria ir e voltar todos os dias no ônibus dos estudantes. À noite. Claro que eu estava animada, afinal ia começar a faculdade e minha irmã estaria comigo pelo menos durante a ida e a volta (ela fazia um cursinho). Mas também estava com medo de encarar uma sala de aula completamente diferente da qual eu estava habituada desde o meu jardim de infância. O fato é que eu não teria cursado os três primeiros semestres do curso se meus pais não tivessem me mostrado que eu conseguiria. Acabei desistindo de Ciências Sociais depois, mas o medo e a insegurança não foram o motivo.

"Por livre e espontânea pressão", era essa - e as vezes ainda é - a minha resposta sempre que me via à frente de alguma atividade no Centro Espírita que frequento.  Lembro que na primeira reunião do Evangelho, logo na noite de fundação da casa em 2003, fui convidada (eu diria intimada! rs) para fazer a prece inicial. Passei a meia hora que antecedeu o inicio das atividades me negando, explicando que não iria conseguir se quer falar com um monte de gente me olhando, imagina fazer uma prece. Mas não consegui me esquivar. "Que é isso, Lú? Você consegue, você sabe  que consegue!", me diziam todos por uma boca só. E lá fui eu, com o coração na mão, fazer o que me foi pedido. Graças a Deus e aos amigos deu tudo certo. E eu faço isso até hoje...

2009. Eu tinha 24 anos e seria a primeira vez que viajaria sozinha. Era um dos encontros anuais do grupo espiritismo.net, e eu queria muito, muito ir. Lembro que meu coração durante todo o tempo que antecedeu a viagem estava cheio de medos. Não era uma viagem qualquer, né? Iria para o RJ, num voo com duas conexões e completamente sozinha, poxa! Não foram poucas as vezes em que apesar da vontade grandona eu pensei em desistir. Mas não. Mais do que eu mesma, algumas pessoas acreditaram em mim, acreditaram que tudo daria certo, e as palavras de incentivo delas me ajudaram a viver um dos fds's mais lindos da minha vida.

Recentemente uma amiga me acordou com uma mensagem logo cedo pelo facebook. "Lú, quero te convidar pra fazer uma palestra...". Ler isso às 6h:00 da manhã quase me fez cair da cama e a primeira coisa que fiz foi responder dizendo que não sei dar palestras, que não sou palestrante. Mas, como fiquei com vergonha de completar minhas palavras com um "não vai dar, mas obrigada pelo carinho do convite!", acabou que ficou meio subentendido que eu aceitei. Foi nesse momento que me vi numa enrascada, que pra me deixar mais aflita só ficou maior quando comentei sobre o convite com a minha mãe e ela simplesmente me disse: "Você vai sim, se ela lhe convidou é porque acredita e confia em você!" 

Para resumir a história, o fato é que passei a semana mais louca da minha vida, literalmente com o coração na mão enquanto ouvia dos meus pais e amigos que eu me sairia super bem.  E, sem vergonha nenhuma eu confesso que quase chorei quando vi a divulgação da tal palestra no facebook com uma foto minha e a seguinte legenda "palestrante Maria Luíza." Só não desmarquei tudo nessa hora porque minha mãe literalmente me deu uma bronca (existem várias formas de incentivar uma pessoa, né?!). Bom, o dia temido chegou, e lá fui eu com meus pais e uma amiga a tiracolo. Dizer que fiquei tranquila vai ser mentira, mas não posso negar que ter essas pessoas ao meu lado (minha amiga foi sentar na primeira fila, praticamente colada em mim pra me dar apoio) foi fundamental pra me trazer a segurança que falta em mim, isso foi!

Tem uma frase atribuída a Chico Xavier - acabei de lembrar - que cada vez mais percebo a realidade dela dentro de mim. "As pessoas esquecerão o que você disse, as pessoas esquecerão o que você fez... Mas elas nunca esquecerão como você as fez sentir.". É bem isso, tanto para o bem, quanto para o mal. Em outro post eu comentei sobre o quanto algumas palavras tiveram o poder de me lançar num abismo de medos, neuras, inseguranças e aflições, mas, hoje, precisei relembrar justamente o contrário. Precisei vir aqui e escrever sobre palavras e pessoas que constantemente me fazem voltar à Luz! À todas elas, o meu muito obrigada! 

***

*O título do post não tem muito a ver com ele em si, só é um trecho de "Never Say Never" (The Fray). Beijinhos!!!

2 comentários:

Anônimo disse...

Que legal!! Amei saber sua experiência, há muitos momentos em que percebemos o quanto podemos fazer coisas que nem imaginamos e as pessoas especiais que estão do nosso lado.

Malu disse...

É isso Regina!
Às vezes precisamos do outro para descobrirmos o melhor de nós. E, pra te ser bem sincera, eu não sei se isso é algo bom ou ruim, só sei que É! Então, o jeito é deixar ser...
Beijos e obrigada!!!