5 de dezembro de 2013

Da arte de viver...

Acho uma das coisas mais difíceis de estar aqui, o fato de desconhecermos os caminhos que não podemos, ou melhor, que não devemos tomar. Não sabermos nossas possibilidades reais, não termos a exata noção do ponto em que algo deixa de ser um mero obstáculo de percurso, e se torna um limite que - para o nosso próprio bem - não deve ser ultrapassado.

De quantas coisas eu mesma já me privei, meu Deus, por não saber se elas eram o "certo" pra vida que levo hoje! Do mesmo modo, em quantos outros momentos tive de vencer imensos "não's" interiores e arranjar coragem, só Deus sabe onde, para conseguir arriscar e fazer uma simples escolha!

A verdade é que sentir a vida desse modo é o meu único obstáculo. Esse medo de viver, essa mania de pensar e temer possibilidades que na maioria das vezes nem chegam a se concretizar, muito mais que a condição física do meu corpo, é o que me limita de verdade. Presa a tantos "se's" eu fechei a porta pra experiências diversas que, se eram possíveis ou não, eu só poderia saber se tivesse me dado a chance de vivenciá-las.

"É que eu não sabia que a vida me traria o que jamais me deu."*

Como diz o verso da música, eu não sabia mesmo. E embora quisesse muito viver o que me era dado em alguns momentos, eu não soube lidar com o novo, não tive coragem para adentrar no caminho que ele me mostrava. E assim eu permaneci fechada, julguei-me salva, mas não percebi que devolvendo á vida o que ela me trazia, eu perdia também um pouco dela no meu coração.

*

Da música "A canção que faltava" - Isabella Taviani.

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