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Imagem: Tumblr |
Há exatos cinco anos, nesse período do mês, a vida da minha familia e principalmente a minha já haviam entrado no modo "stand bye". Era 2012. Lembro de estar assistindo TV no quarto da minha mãe quando uma espécie de entorpecimento tomou conta de mim e eu adormeci. Pronto. A partir desse momento todas as lembranças que eu tenho são de dias depois, quando acordei traqueostomizada num leito de uma UTI. Minha mãe estava comigo e foi quem impediu que eu, no impulso, tirasse a traquéia artificial que naquele dia era o que me permitia respirar. Foi um choque de realidade, eu consigo lembrar. Em um momento eu estava em casa e no outro me vi presa a uma cama de hospital, respirando com ajuda de aparelho. Recordar todo esse quadro deve ser doloroso pra mim, muita gente deve pensar, mas não, não é. A verdade é que apesar de toda dor que vivenciamos naquele período, o fato de eu ter passado por aquela experiência só trouxe coisas boas para a minha vida. Sim, porque hoje sou outra Luíza; uma Luíza que provavelmente não existiria se não tivesse conhecido o limiar da "morte", alguém que não estaria aqui experimentando o Viver no sentido mais lindo que essa expressão encerra. Por que, então, seria doloroso recordar aqueles cinquenta e cinco dias? Gratidão, Vida, é tudo o que me cabe sentir e dizer. Obrigada por ter me feito adormecer para que eu acordasse de verdade. Obrigada por ter me tirado a liberdade para que eu, enfim, aprendesse a ser livre.
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