23 de junho de 2016

Maria Rosa

Foi você a mulher baixinha que ajudou minha mãe quando ela se encontrava praticamente sozinha naquela maternidade?
Foi você quem a incentivou, dando-lhe as orientações necessárias para que ela suportasse e ajudasse o processo do parto, de modo que eu pudesse vir a nascer sem maiores traumas?
Foi você quem me trouxe ao mundo e quem primeiro me tomou nos braços?
Foi você quem me levou inicialmente para longe, talvez para que minha mãe não se chocasse com a minha deficiência física?
Foi você a quem minha vó procurou incansavelmente naqueles corredores para agradecer pelo cuidado que você teve para com a minha mãe e consequentemente para comigo?
Foi você que não teve sequer o nome citado no documento da maternidade, documento aliás que traz nome de um outro médico, como se este tivesse sido o responsável pelo meu nascimento?
Foi você quem simplesmente desapareceu como se nunca tivesse existido?
É de você que a minha mãe não esquece? 
É você quem eu admiro e a quem sou grata sem nem ao menos ter conhecido?
Não sei.
Foi você quem chegou de mansinho naquela reunião mediúnica do centro?
Foi você quem disse que estava feliz por estar perto de mim novamente e que sentia muita, muita saudade?
Foi você quem me deu um dos abraços mais inesquecíveis que eu já recebi e que me fez sentir mais uma vez amparada pelos cuidados de Deus?
Foi você quem acalmou no meu coração a dor do luto pela "morte" da minha sobrinha que nem mesmo chegou a nascer?
Foi você quem revelou que somos amigas há muito tempo, e que me abraçando forte, repetiu incontáveis vezes no meu ouvido "eu te amo e vou estar sempre contigo"?
Era sua a vontade que fez a minha amiga médium correr para me abraçar novamente, quando você já tinha ido embora, a reunião já havia terminado e eu já estava entrando no carro para voltar pra casa?
Não sei.
Foi você quem apaziguou o medo da minha mãe quando eu estava entre a vida e a morte naquele hospital em 2012?
Foi você quem apareceu para ela num sonho, lhe garantindo que aquela era só uma fase e que nós a superaríamos?
Foi você quem deu para ela a coragem de fazer o que parecia inviável?
Foi você quem eu, meio grogue por causa de toda a medicação, confundi com a minha mãe porque a vi sentada uma noite inteira ao lado do meu leito naquela UTI?
Não sei. 
Eu simplesmente não sei e acho mesmo que não vou saber por enquanto, ou pelo menos não nessa existência. O que eu sei é que nos momentos mencionados acima, momentos em que o inexplicável aconteceu, a Vida foi de uma clareza e de uma objetividade sem tamanho ao me cuidar, proteger e mostrar, de forma patente, que eu nunca estou sozinha. O que sei é que independente de ser para você ou não a minha gratidão por causa daqueles dias, o fato é que vou ser sempre grata a VOCÊ pelo AGORA. Sim, porque foram as suas palavras, juntamente com as de uma amiga, que me mostraram que nunca perdemos quando nos permitimos acreditar no melhor de cada pessoa; quando nos permitimos vivenciar a confiança e o amor. 
Quando eu corria o risco de deixar o melhor de mim morrer, foi você quem me lembrou que se EU sou responsável pelas minhas ilusões, frustrações e dores, também sou responsável pela minha cura; foi você quem veio e fortaleceu novamente o pensamento que estava agonizando dentro de mim: sonhar e, principalmente amar são as únicas escolhas que fazem, no fim das contas, a nossa vida valer a pena! 
Obrigada, Maria Rosa! Prometo que nada e nem ninguém vai conseguir novamente tirar essa certeza de mim! 

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