22 de abril de 2015

Sim, eu estava com saudade mãe...

Mais um susto. Sexta-feira meio dia já senti minha garganta arranhar e à noite eu já não consegui dormir direito. Tosse, tosse, tosse... No sábado veio a febre (o que não apareceu das outras vezes), um certo cansaço e mais tosse. E assim cheguei ao domingo. Na segunda-feira quando acordei, eu mal conseguia respirar porque, de tanto tossir, a musculatura ou sei lá o quê da minha barriga estava tão, mas tão dolorida como se tivesse sido perfurada por dezenas de agulhas. Graças a Deus o fim de semana já tinha passado e finalmente eu iria para um dos pneumos que me atendem desde que essa batalha começou. 

Tirando os dias que passei no hospital, não lembro de ter vivido uma manhã tão longa quanto essa que passei na sala de espera da clínica. Minha mãe e eu chegamos por volta das 9h:00, mas só acabei sendo atendida pouco depois do meio-dia. Num espaço de pouco mais de 5 metros quadrados, e com quase vinte pessoas, o esperado é que a maioria estivesse ali - assim como eu - por causa de problemas respiratórios. O que para mim era mais um complicador. Por isso eu fiquei o tempo todo com uma daquelas máscaras hospitalares, que apesar de serem feitas com um tecido super fino, me sufocam de uma forma assustadora. E claro que dei graças a Deus quando a minha vez de ser atendida finalmente chegou. 

Não vou detalhar os quase 20 minutos da consulta com os exames e recomendações. Só prefiro dizer do alívio que sentimos, minha mãe e eu, quando Dr. Ricardo finalmente deu o diagnóstico. "Você está com um processo de inflamação da mucosa dos seios da face, Maria Luíza. Sinusite. Não é nada sério, seus pulmões estão bem, mas você precisa se cuidar." Só de ouvir essas palavras a tensão de todo o fim de semana diminuiu consideravelmente. E depois de chegarmos em casa e eu começar a tomar a medicação (antibiótico, xarope, soro para lavagem do nariz, aerosol, spray) senti que a vida voltava de novo a habitar de verdade o meu corpo. 

Sim, dessa vez foi tudo instantâneo assim. Tanto a chegada da crise, como o começo da sua despedida. E como minha mãe não perde uma oportunidade de me zoar acabou soltando essa: "Acho que tu tava era com piti, viu? Tava com saudade do doutor Ricardo, né? É só olhar pra ele que tu melhora." Foi impossível controlar o riso nessa hora, e consequentemente a tosse (que ainda levaria pelo menos 48h para cessar) e a dor que ela ainda causava na minha barriga. Mas foi ótimo rir, foi ótimo voltar a ter ânimo e leveza pra curtir as pérolas da dona Marta e, principalmente, foi fundamental pro meu restabelecimento perceber que de certa forma ela tinha razão. 

Calma. Não que eu estivesse com piti, fazendo manha ou estivesse com saudade do meu médico, pudera! Gosto dele, agradeço demais por todo o cuidado e atenção que ele vem me dispensando ao longo desses 5 anos quase, mas, se for para eu vê-lo naquele consultório ou em qualquer outro ambiente semelhante, eu prefiro ficar anos e anos sem encontrá-lo. Mas, minha mãe estava com a razão quando ela falou em saudade sim. Eu realmente estava com saudade de uma pessoa e hoje acredito que essa crise (já que no aspecto somático, sinusite é o processo de chorar para dentro) foi uma forma do meu "Eu" me fazer perceber isso. 

Sim, eu já não aguentava e chorava uma saudade gigante de você menina, garota, mulher. É, de você mesma, Malu. Saudade do teu jeito leve de se olhar no espelho, saudade dos teus pensamentos que só se perdiam em torno de si mesmos. Saudade das tuas horas de reflexões sobre os mistérios sábios da vida. Saudade das tuas viagens pelas histórias contadas nos livros. Saudade do teu insano equilíbrio. Saudade da tua capacidade de acreditar no outro, de não duvidar. Saudade de te ver com a mente e o coração leve, que apesar dos medos que os dois encerram, também se deixam mover por sonhos. Saudade de te sentir mais próxima daquilo que você acredita e verdadeiramente quer pra si. Saudade enfim e enorme de você! Por isso, se cuida, tá? 

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