As pessoas ao meu redor não falam de outra coisa, e por várias vezes já afirmaram com uma expressão surpresa - e travessa? - no rosto: "Você tá diferente, Lú!". E, como sempre faço quando sou eu o assunto em questão, nesses momentos eu desvio o olhar, sorrio sem graça e tento mudar o rumo da conversa. Mas, a verdade que já não quer calar é: sim, eu realmente mudei. E, embora desconverse quando a questão vem átona, fico realmente feliz quando tal mudança se faz notar.
Pensar sobre essa (auto)percepção é estranho, se eu lembrar que ela se deu justo após o momento mais complicado da minha vida. É que o "diferente" tão comentado pelas pessoas que convivem de perto comigo, e até pelo meu pneumologista que só vejo duas vezes por ano, está relacionado à "Luíza" de antes, à "Malu" antes da internação, das UTI's, dos hospitais, enfim... Mas, quem era ela? Ou melhor, quem eu era antes de viver tudo aquilo???
A garota que passou a fugir de fotos e que apesar da vontade, nunca tinha coragem de pintar o cabelo de vermelho? A menina que adorava dançar, que se escondia pra cantar no karaokê e que com o passar do tempo abandonou os biquínis? Aquela que vivia com a cabeça cheia de "não's" e o coração permeado de "por ques?" É, todas essas questões respondem parte da pergunta do parágrafo acima, mas eu sei que a verdadeira resposta pra ela é muito mais complexa...
O fato é que hoje eu percebo claramente que vivia numa espécie de concha e cercada por uma redoma que me protegia das pessoas, dos sentimentos e, principalmente, de mim mesma. Assim, lembrar da "Maluzinha" de cinco anos atrás, por exemplo, é perceber um coração contido mas cheio de vontades; é sentir que o medo antecipava - e determinava - a maioria das minhas escolhas e ações; é dar de cara com uma imaginação permeada de sonhos, quereres, mas que acreditava que uns e outros eram irrealizáveis.
E agora, escrevendo tudo isso, só uma questão me ocorre: será que esse contexto mudou realmente? Será que saí de fato daquela concha? Quebrei, enfim, a redoma? Bom, a cor do meu cabelo eu mudei... E, diferente de antes, minhas redes sociais estão repletas de fotos... Também passei a soltar a voz em público e, até, andei procurando um biquíni pra usar no último passeio que a gente fez. Ah, e acho que o que mais define essa nova "Lú" é o fato de você está lendo essas linhas agora. O blog é, sem dúvida, o marco dessa "transformação". Mas, ainda assim, fico me perguntando se existe realmente uma nova "Maria Luíza" dentro de mim.
Meu pneumologista diz que tô bem, diferente, mais ousada. Uma amiga fala que tô me abrindo pra viver tudo o que antes não me permitia. Minha mãe fala que tô "pra frente" e que trouxe outra filha do hospital. E eu, ouvindo tudo isso, não consigo evitar o assombro e a surpresa. Que coisa foi essa, tão brusca e tão óbvia que aconteceu comigo??? Aonde essa nova "Malu" vai me levar??? Que caminhos percorrerei daqui pra frente??? Essas respostas eu não tenho, e sei que vou ter que viver, pagar pra ver. Só espero que o preço não seja tão caro, meu Deus. É tudo o que peço!
2 comentários:
É sempre bom abrir as janelas, Lú! É renovador, principalmente quando a gente não sabe o que encontrar do outro lado, e é quase sempre assim quando nos permitimos abrir as nossa janelas. As vezes, pode-se levar uma vida inteira pra nos tornarmos quem somos, mas o caminho é sempre uma descoberta... Aonde iremos, ou onde cada mudança irá nos levar, a gente nunca sabe, mas é tão bom não estar parado :)
Que você se encontre e se mostre para a vida cada vez mais, Lú! E que as formas de libertação, lhe sejam leves!
Beijo, Beijo!
Amém, Lí!!! <3 Obrigada!!!
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